C A C O S é uma série coreográfica criada por Cristian Duarte /em companhia entre 2023 e 2025, composta por cinco danças — três duetos, um trio e uma peça para dez performers.

Desenvolvida como um procedimento de pesquisa, a série antecede e alimenta a criação da obra E nunca as minhas mãos estão vazias, funcionando como um campo de experimentação onde diferentes materiais coreográficos são testados, tensionados e transformados.
Inspirada na imagem de fragmentos de uma cerâmica quebrada, a série assume o caco como metáfora para processos de continuidade na criação artística. Em vez de ocultar as rupturas, o trabalho aproxima-se da lógica do kintsugi — técnica japonesa que repara objetos fraturados evidenciando suas fissuras — para reconhecer nas marcas do tempo, das relações e das experiências acumuladas uma fonte ativa de invenção. Cada dança aparece, assim, como um fragmento que guarda sua própria história, ao mesmo tempo em que participa de um campo comum de investigação.

Nos diferentes cacos, os corpos exploram modos variados de relação, presença e imaginação: da instabilidade cúmplice de um dueto que roça o desmoronamento, ao fluxo verborrágico de gestos contaminados pela velocidade da comunicação digital; do impulso instintivo que antecede o ataque, à negociação sensível das diferenças em um trio; até chegar à ativação coletiva de um grupo em estado de atenção e disponibilidade.

Apresentadas juntas ou em diferentes combinações, as peças compõem um mosaico coreográfico onde fragmento e totalidade coexistem. Cada caco funciona como um pequeno universo autônomo, mas também como reverberação de uma investigação maior sobre gesto, memória, convivência e imaginação. O conjunto revela, assim, o processo de criação da companhia como um território em permanente transformação, onde as fissuras não são apagadas, mas reconhecidas como parte essencial do que sustenta a continuidade da companhia.
MORDE COMO UM CÃO (caco#1)
com Aline Bonamin e Paulo Carpino

Nada escapa. Seguimos em um espaço descontínuo de sinapses frenéticas. Salivamos com graça e mordemos com força. Entre o desejo de seguir juntos e a iminência do desmoronamento, emerge uma dança vigorosamente instável, onde impulso, tensão e cumplicidade se alternam em um estado permanente de alerta.

Ficha técnica
Criação e dança: Aline Bonamin e Paulo Carpino
Coreografia e direção: Cristian Duarte
Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha
Assistência de direção: Rodrigo Andreolli/Vicente Antunes Ramos
Figurinos: /em companhia
Música: Tom Monteiro
Iluminação: André Boll
Fotografia: Mayra Azzi
Apoio: Casa do Povo e 36º Edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Classificação: Livre
Duração: 18 minutos


ME ENVENENA, VEM CÁ (caco#2)
com Gabriel Fernandez Tolgyesi e Maurício Alves

Como as redes sociais e a internet ecoam em você? E nos seus gestos? Neste dueto dirigido por Cristian Duarte, Gabriel Tolgyesi e Maurício Alves investigam modos de estabelecer conexões entre si, com a plateia e com o mundo. Entre palavras, movimentos e fluxos de pensamento, os intérpretes reverberam corpo-verborragicamente aquilo que atravessa seus feeds — de memes a notícias trágicas — compondo uma dança contaminada pelos ritmos e excessos da comunicação contemporânea.

Ficha técnica
Criação e dança: Gabriel Tolgyesi e Maurício Alves
Coreografia e direção: Cristian Duarte
Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha
Assistência de direção: Rodrigo Andreolli/Vicente Antunes Ramos
Figurinos: /em companhia
Trilha sonora para pedal: composta ao vivo pelo elenco
Música: introdução de Guitarra Baiana de Moraes Moreira editada por Carla Boregas
Iluminação: André Boll
Fotografia: Mayra Azzi
Apoio: Casa do Povo e 36º Edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Duração: aproximadamente 37 minutos

BOTE (caco#3)
com Danielli Mendes e Leandro Berton

Provocar o delírio implica negociar constantemente com a matéria. Enquanto delira, o bicho do humano edifica seres e arquiteturas efêmeras. Durante o movimento, inaugura-se um ambiente ficcional que existe apenas na duração de um gesto — como o animal que se prepara para o bote. Confiando em toda a sua sabedoria anatômica, ele organiza um instante entre vida e morte que dura apenas uma fração de segundos. Acerte ou não a presa, o bote é a própria fome em estado puro.

Ficha técnica
Criação e dança:
Danielli Mendes ou Andrea Rosa Sá e Leandro Berton
Coreografia e direção: Cristian Duarte
Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha
Assistência de direção: Rodrigo Andreolli/Vicente Antunes Ramos
Figurinos: /em companhia
Músicas: Rover and Recede / Hovering Green / Cooper and Emma / The Fragile Season / You Are Still Here / Cleaning — Jennifer Koh (Alone Together)
Iluminação: André Boll
Fotografia: Mayra Azzi
Apoio: Casa do Povo e 36º Edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Classificação: Livre
Duração: 12 minutos


TUDO VIRA (caco#4)
com Andrea Rosa Sá, Allyson Amaral e Felipe Stocco

Coexistir sem perder o corpo das diferenças — histórias, referências e raízes que impulsionam encontros e desencontros. Estar sempre junto e nunca igual exige persistência, curiosidade e uma escuta capaz de perceber o que está fora de si, ao mesmo tempo em que se regula, com delicada atenção, tudo o que se revira por dentro. Como na passagem do filme Ensaio de Orquestra (Federico Fellini, 1978), sobre o instrumento tuba: “Há quem desmaie de ternura. Mas há também quem se irrite. O mundo é belo porque é variado.”

Ficha técnica
Criação e dança: Allyson Amaral, Andrea Rosa Sá e Felipe Stocco
Coreografia e direção: Cristian Duarte
Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha
Assistência de direção: Rodrigo Andreolli/Vicente Antunes Ramos
Figurinos: /em companhia
Músicas: Archetypes: I. The Rebel — Clarice Assad, Sérgio Assad e Third Coast Percussion; Ecco / Corri / Sempre — Alessandro Cortini
Iluminação: André Boll
Assistência de direção: Vicente Antunes Ramos
Fotografia: Leandro Berton e Mayra Azzi
Apoio: Casa do Povo e 36º Edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Classificação: Livre
Duração: 25 minutos

PRESENTES (caco#5)
com Aline Bonamin e Cristian Duarte

E se, ao invés de escrever uma sinopse, eu dançasse?

Ficha técnica
Uma coreografia de Cristian Duarte /em companhia
Criação e dança: Aline Bonamin, Allyson Amaral, Andrea Rosa Sá, Felipe Stocco, Gabriel Fernandez Tolgyesi, Júlia Rocha, Leandro Berton, Maurício Alves, Paulo Carpino e Tenca Silva.
Coreografia e direção: Cristian Duarte
Assistência de direção: Vicente Antunes Ramos
Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha
Figurinos: /em companhia
Apoio: Casa do Povo e 36º Edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Classificação: 10 anos
Duração: 60 minutos


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